Estudante do Cotuca leva pesquisa a seminário internacional de assentamentos populares

Antonio Douglas Campos da Silva vai mostrar a ocupação onde mora em evento internacional sobre assentamentos
Antonio Douglas Campos da Silva vai mostrar a realidade da ocupação onde mora em evento internacional sobre assentamentos

“Eu fiz a pesquisa sobre a minha realidade, a partir das dificuldades que eu passo lá dentro. Estudei a Ocupação Vila Soma, como ela se construiu historicamente, se formou como um centro de resistência e se tornou referência no Brasil”. Antonio Douglas Campos da Silva (20), morador da Ocupação Vila Soma e aluno do curso de Eletroeletrônica noturno, do Colégio Técnico da Unicamp (Cotuca), apresentará seu trabalho na Argentina, na próxima semana, durante o Seminário Latino-americano de Teoria e Política de Assentamentos Populares, na Universidade Nacional de General Sarmiento, região metropolitana de Buenos Aires.

O artigo intitulado “A Ocupação Vila Soma (Sumaré/SP, Brasil), a luta pelo direito à cidade e a formação dos sujeitos políticos a partir do conflito” é o primeiro fruto de dois anos de pesquisa desenvolvida por Antonio no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – Ensino Médio (Pibic-EM), da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Unicamp, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Autor: Gabriela Villen
Fotos: Antonio Jose Scarpinetti
Edição de imagem: Paulo José Cavalheri

TV Unicamp destaca V Festival de Música Contemporânea Brasileira

De 20 a 24 de março, Campinas contou com a presença de dois expoentes da música contemporânea brasileira instrumental: Egberto Gismonti e Marisa Rezende. Ambos foram homenageados e participaram do V Festival de Música Contemporânea Brasileira, realizado pela produtora cultural Sintonize, com apoio da Unicamp. Totalmente gratuito, a iniciativa incluiu apresentações de trabalhos científicos, apresentações artísticas, recitais comentados pelos compositores homenageados, sessões de discussão de mesa-redonda e o concerto de encerramento com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Durante dois dias, o Instituto de Artes sediou as atividades científicas, com presença de professores e alunos de diversas instituições. “O festival é inovador porque une pesquisa à performance, com presença dos homenageados que podem tocar repertórios e conversar com os estudantes”, avalia Thais Nicolau, coordenadora do festival.

A TV Unicamp acompanhou e registrou parte do festival. São três conteúdos já disponíveis no Youtube: a íntegra da abertura do evento (com música e bate-papo com os homenageados), um das apresentações de Egberto Gismonti (em sólo de violão, o instrumentista presenteou o público no Instituto CPFL com quatro canções) e uma reportagem especial de 13 minutos.

Especial com entrevistas

Abertura do evento na íntegra

Apresentação de Quarteto Radamés Gnatalli & Egberto Gismonti

Autor: Luiza Bragion Moretti
Fotos: Antonio Scarpinetti
Edição de imagem: Paulo Cavalheri
Vídeo: TV Unicamp

Hermeto Pascoal fecha temporada de #BaúUnicamp

O músico, compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal é a última atração desta temporada de #BaúUnicamp, série produzida pela TV Unicamp. A edição traz 1h40minutos de show do músico, gravado em 1996, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. A série tem o objetivo de resgatar momentos culturais e artísticos da Universidade, preservados em acervo. As edições deste ano passaram por vários estilos musicais e também apresentaram Dominguinhos, Gilberto Gil & Jorge Mautner, Lobão e Capital Inicial. Entre as décadas de 80 e 90, shows com renomados artistas aconteceram na universidade dentro de projetos como “Aquarela do Brasil” e “Turnê Universitária”, este último com apoio do Banco do Brasil. O trabalho, desenvolvido pela equipe de produção da TV Unicamp, em parceria com o Arquivo, envolveu artes gráficas, produção de vídeo, pesquisa de conteúdo, seleção de trechos e, especialmente, tratamento de imagens, ainda produzidas em VHS.
Veja o show completo de Hermeto Pascoal

 

Todas as edições do #BaúUnicamp vão ao ar no canal 10 da Net, em diversos horários ao longo da semana (veja mais em www.rtv.unicamp.br) e também estão na playlist no canal da Secretaria de Comunicação no Youtube.

Veja também reportagem produzida pela TV Unicamp com Hermeto Pascoal, em seu retorno à universidade, em 2014, durante workshop que ministrou no Instituto de Artes:

Autor: Luiza Bragion Moretti
Edição de imagem: Paulo Cavalheri
Vídeo: TV Unicamp

Alertas do passado na divulgação científica

Ilustração: Luppa Silva​Meus passeios pelas estantes lá de casa são quase sempre quase aleatórios. É um exercício não específico buscando lembrar que os buracos são geralmente mais profundos. O buraco nesse caso é a neutralidade da ciência. E do seu ensino e divulgação. Selecionei quatro exemplos do passado, obsequiados ou garimpados em sebos, com seus alertas para o presente.

O primeiro foi passado pelo meu pai para que eu nunca duvidasse do que tinha acontecido. Não era necessário, mas passei a ser guardião de um documento importante. Nunca se sabe como andará a memória de outros nos futuros líquidos. É um livro de ciências para formação à distância de soldados na frente de batalha, editado na Alemanha em 1943: “Caminho para o Exame Final – parte 5 – Ciências Naturais: Biologia, Química e Física”. A parte sobre Física é o que se espera: mecânica, eletricidade e magnetismo, seguido de oscilações e ondas. Lembra os meus livros do ensino médio. Bem como a seção sobre Química, dividida entre inorgânica e orgânica. Mas o livro começa por Biologia, que ocupa quase metade das páginas. Não há nada sobre citologia, botânica ou zoologia: a primeira parte é sobre Genética. A segunda parte intitula-se: “os fundamentos biológico-raciais da comunidade nacional e do governo”. Os últimos capítulos desta segunda e última parte são “política populacional” e “cuidados genéticos e raciais”. Não é preciso entrar em detalhes para que se perceba que é um conjunto de horrores a serviço da eugenia, do totalitarismo, justificando, em última instância, a castração forçada por lei de nove “grupos de pessoas”, entre eles  maníacos depressivos, cegos e surdos congênitos, como explicitamente “ensinado” no livro. A solução final se coloca nas entrelinhas.

Lembrei-me desse livro quando li na Revista Pesquisa FAPESP, edição de janeiro de 2018, a nota: “O espectro da Eugenia na Universidade” [I]. Relata uma investigação sobre um pesquisador que promoveu por três anos conferências clandestinas sobre eugenia na University College London.

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Excelência e impacto internacional estão entre os principais desafios do Brainn

mesa de debate

“Nosso grande desafio é realmente fazer ciência de ponta, de mais impacto e com publicações mais relevantes. Menos do mesmo e mais de coisas inovadoras e internacionalmente competitivas”, concluiu o coordenador do Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia (Brainn), Fernando Cendes, em entrevista após a mesa redonda “BRAIN(N): passado, presente e futuro”. O Instituto, sediado na Unicamp, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, e investiga os mecanismos básicos da epilepsia, do acidente vascular cerebral (AVC) e de lesões associadas, com pesquisas nas áreas de genética, neurobiologia, farmacologia, neuroimagem, ciência da computação, robótica, física e engenharia.

A mesa, fez parte da programação do 5º Congresso Brainn, foi composta pelo diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz; pelo chefe do Laboratório de Neuroplasticidade do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Lent; pelo diretor do Centro de Neuroimagem Funcional da Universidade da Pensilvânia (EUA), John A. Detre; e pelo professor da Universidade de Calgary (Canadá), Richard Frayne, e coordenada por Cendes. O debate, que aconteceu na tarde desta terça-feira (10), no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

“Muitas vezes, pensamos que as dificuldades que enfrentamos são somente nossas e é interessante saber que muitas delas são globais”, destacou Cendes. Para ele, um balanço como o realizado pela mesa, incluindo pontos de vista de outros países, é fundamental para evidenciar também as vantagens da realidade enfrentada pelo Instituto. “Nossa produção científica já é muito boa para padrões nacionais e até internacionais, em alguns aspectos. Mas ainda precisamos quebrar a barreira da internacionalização. Temos que trabalhar para superar nossas desvantagens e avançar nesse campo, que é muito competitivo”, afirmou.

O diretor científico da Fapesp, enfatizou a importância da qualificação das pessoas para o desenvolvimento de pesquisa de ponta. “O Centro tem uma equipe excepcionalmente bem qualificada. Portanto, as expectativas são grandes”, pontou. Segundo ele, o Instituto deve usufruir mais dos programas oferecidos pela Fapesp para trazer os melhores pesquisadores de dentro e fora do país para compor seus quadros, sejam jovens pesquisadores, pós-docs ou pesquisadores experientes, pelo sistema São Paulo Excellence Chair (SPEC).

Para Brito, é fundamental elevar continuamente os standards da pesquisa, em termos de excelência e potencial impacto. Por último, apontou para o desenvolvimento de mais colaboração em pesquisa, seja internacional, seja com outros estados brasileiros, como peça chave para o avanço do Instituto.

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Autor: Gabriela Villen
Fotos: Antoninho Marmo Perri
Edição de imagem: Paulo José Cavalheri