Dona Jacy, integrante de grupo de música sediado no CIS-Guanabara, completa 100 anos

Todas as tardes de segunda-feira a gare do CIS-Guanabara é invadida por uma cantoria afinada, produzida na Galeria I. De lá, em meio a acordes de Vinícius de Moraes, de Adoniran Barbosa e de Vítor e Leo , baixos, barítonos e sopranos ensaiam novos arranjos de samba, bolero, MPB e música sertaneja. São cantores que integram o programa “Brincando com a Música”, sediado há três anos na Estação Guanabara, em que a caçula da turma tem 70 anos e a decana está prestes a completar um século de vida. E para comemorar o centenário de dona Jacy de Arruda Faccioni, que ocorre no próximo dia 17, o grupo se reuniu nesta segunda (12) para uma apresentação especial que contou com a presença de inúmeros convidados, entre eles, o reitor da Unicamp, professor Marcelo Knobel. Leia mais

Jacy, com o reitor Marcelo Knobel no Cis-Guanabara

Projetos de Extensão Comunitária superam número de submissões

Das 160 propostas inscritas, 46 foram aprovadas com recursos financeiros. As demais, por terem recebido a aprovação de pares durante o processo de seleção, receberão apoio institucional. “Infelizmente, não há recursos para todos os projetos, mas a pró-reitoria estuda formas de oferecer apoio institucional para facilitar os caminhos para desenvolvimento destes projetos aprovados sem recurso financeiro”.

O apoio institucional também pode se estender a projetos não submetidos no PEC 2017. De acordo com Hashimoto, além dos projetos aprovados no edital, há um volume significativo de iniciativas espalhadas pelos campi da Unicamp, que nem sempre são relatadas. Diante disso, em outubro, a Preac solicitou aos coordenadores de Extensão das unidades de ensino que destacassem dois projetos para oferecer apoio em divulgação. A ideia é dar visibilidade às inúmeras ações realizadas com a sociedade e atrair parceiros.

Troca de experiências
A bióloga Maíra Silva, recentemente mestre pelo Instituto de Geociências, conheceu a Unicamp em programas de extensão comunitária e, neste processo, colocou amigos universitários em contato com a realidade do Vale do Ribeira, que abriga o Quilombo de Ivaporunduva, onde ela nasceu. Além disso, dedicou sua dissertação de mestrado à investigação de contaminação por chumbo e arsênio no Ribeira. Esta presença do ator social nas atividades de extensão também é notória em outras iniciativas, como é o caso do projeto “Formação de Agentes para construção de Cidadania, Saúde e Democracia por meio do Método Paideia”, coordenado pelo médico Gastão Wagner, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), contemplado no PEC 2017.

Das comunidades parceiras é que devem sair os agentes de saúde que atuarão na sociedade e também ajudarão a controlar e fiscalizar o sistema, de acordo com Gastão. E mais: a experiência relatada por estes usuários do sistema público de saúde vai direcionar as atividades do projeto. “Pedimos que as pessoas tragam problemas reais de sua vida, como fila para cirurgia, demora no atendimento. A partir destas informações promoveremos formação ampla sobre o SUS, política de saúde, defesa de direitos, entre outros”.  Aí está o poder de troca da extensão, segundo Gastão, já que estudantes de medicina da Unicamp realizam estágio na rede pública. “Esta atividade também contribui na formação de professores. Aprendemos com a comunidade.”

O segundo objetivo é promover a formação de estudantes de graduação em medicina e enfermagem e pós-graduação em saúde coletiva. As atividades acontecerão em bairros da região norte, principalmente da região do Jardim São Marcos e do Parque São Quirino.

Trabalhar a partir das experiências de moradores é importante também para entender as necessidades específicas de cada bairro. “É a partir destas especificidades que alunos e lideranças produzem material para o bairro.” Entre as várias aplicações, os recursos do PEC ajudarão no deslocamento dos estudantes para as atividades.

“A extensão é o campo onde nos movimentamos”, reforça Gastão, para quem o trabalho de extensão, apoiado no PEC, permite a formação de agentes de transformação no direito à saúde e, naturalmente, em direitos humanos.  Ele acrescenta que a gestão participativa está prevista no SUS e é necessário preparar pessoas que tenham condições de participar na discussão e no desenvolvimento de políticas.

Gastão Wagner, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), contemplado no PEC 2017

Fotos: Antonio Scarpinetti

Carlão toma posse no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas

O funcionário do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp Carlos Roberto de Souza Pereira tomou posse como membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, em novembro. O historiador, mestre em educação pela Unicamp, tem como patrono o intelectual campineiro Antonio Ferreira Cesarino Júnior (1906-1992), autor de um repertório de 27 livros, inúmeras teses e 178 trabalhos publicados. “Agradeço a confiança depositada pela Diretoria do Instituto Histórico ao me indicar para sócio titular dessa honrosa instituição. A responsabilidade tornou-se maior, ao ter como patrono o ilustre campineiro Prof. Dr. Antonio Ferreira Cesarino Júnior”, disse Carlos em seu discurso.

Carlos Roberto Pereira de Souza

Carlão atuou e ajudou na infraestrutura do Laboratório de História Oral (Laho) do Centro de Memória da Unicamp, o CMU, um dos principais acervos especializados na história de Campinas.

Sua trajetória na Universidade teve início em 1982, como patrulheiro mirim, no Gabinete da Reitoria, onde se efetivou como funcionário administrativo e chegou a ocupar cargo de chefia no Expediente. A conclusão do curso de história na PUC-Campinas, o interesse por história oral e a imersão na educação não formal, dado aulas em cursos alternativos e de inclusão, fizeram com fosse convidado pela professora Olga von Simson para compor a equipe do CMU, momento em que ingressou no Laho.

Em 2011, tornou-se mestre pela Faculdade de Educação (FE) com a dissertação “As vozes dos educandos do Projeto Educativo de Integração Social – Peis”.

Na posse, fez questão de resumir a história da família Cesarino, cujo sonho da educação começa com o tropeiro e alforriado Custódio, que no século 10 decidiu fixar residência em Campinas para que seus descendentes recebessem instrução e pudessem ser “alguém na vida”. Custódio não viveu para ver, mas uma sucessão de Antônios trabalhou para isso, abrindo e fechando escola, até que Cesarino Filho realizasse o sonho de toda a família.

De acordo com o livro “Enfrentando Preconceitos”, de Irene Maria Ferreira Barbosa, a trajetória de Antonio Cesarino, situada no campo educacional, logo de cara é marcada pelo desafio de ingressar no colégio campineiro “Culto à Ciência”, que apesar da fama de bom, era seletivo, destinado aos filhos da elite e não tinha nenhuma predisposição para acolher alunos negros. Mais tarde, se torna professor catedrático do colégio. De acordo com Carlos, seu patrono foi o sistematizador do Direito do Trabalho no Brasil, com a publicação dos primeiros livros sobre a matéria: “Direito Social Brasileiro’ (1940) e Direito Processual do Trabalho (1942).

A história de Carlão no JU impresso

Participação em vídeos:

Marco Zero

Mercado Municipal, a partir de 14:28

Torre do Castelo, a partir de 5:22

Mineração de Dados Complexos é tema de curso de extensão na Unicamp

Transformar o imenso volume de dados disponíveis em valor agregado é um dos principais desafios da atualidade. Capacitar profissionais para coletar, organizar e dar significado a informação é o objetivo do Curso de Aperfeiçoamento em Mineração de Dados Complexos, que será oferecido pela Escola de Extensão da Unicamp, com apoio do Eldorado e do Microsoft Innovation Center (MIC) Campinas, no próximo ano. Serão 20 semanas de curso, com aulas ministradas por professores do Instituto de Computação (IC) e da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp.

Métodos de análise e tratamento de grandes volumes de dados (Big Data), recuperação e visualização de informação, técnicas modernas de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, inclusive Deep Learning, são alguns dos assuntos que serão abordados nas disciplinas. “Queremos preparar os profissionais de Campinas e região no domínio desses conhecimentos, os quais são cada vez mais importantes no mercado de trabalho”, afirmou Zanoni Dias, coordenador do curso.

Segundo Zanoni, o mercado brasileiro ainda é carente em profissionais com capacitação em Aprendizado de Máquina e Data Analytics, e esse curso tem como objetivo suprir esta demanda. Serão nove disciplinas, ministradas aos sábados, no período da manhã e da tarde, somando uma carga horária total de 180 horas. As inscrições devem ser realizadas até 20 de janeiro. O curso é voltado para profissionais de informática, formados em Computação ou áreas afins (Engenharias ou Exatas) e o único pré-requisito é nível superior completo. A seleção dos alunos será baseada em análise de currículo e histórico escolar. O valor do curso é R$ 8.499,00 à vista ou 3 parcelas de R$ 2.999,23.

Para mais informações acesse

Pró-reitores de universidades públicas de SP se comprometem a levar à sociedade pesquisas de forma eficiente e contínua

Grande parte dos resultados de pesquisas realizadas na academia é aplicada na sociedade, e uma das missões da extensão universitária é fazer com que esta aplicação aconteça de forma eficiente e contínua nas comunidades participantes. Este foi um dos compromissos apresentados por pró-reitores de universidades públicas do Estado de São Paulo presentes em encontro realizado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Preac) da Unicamp nesta quinta-feira (30). “A perenidade é uma das questões discutidas aqui hoje, pois esta preocupação deve passar por todas as pró-reitorias para que as ações de extensão tenham impacto social e amplitude”, pontua a assessora da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Paulista (Unifesp), Simone Nacaguma. A importância da continuidade e eficiência das ações de extensão também foi acentuada pelo pró-reitor de Extensão da Unicamp, Fernando Hashimoto. Leia mais.

O professor Fernando Hashimoto, pró-reitor da Preac
O professor Fernando Hashimoto, pró-reitor da Preac

Pesquisadores evidenciam produções de artistas negros em fórum

Um encontro com artistas-pesquisadores jovens promoveu a reflexão sobre a história de resistência nas artes visuais e no cinema no Brasil. A produção assinada por artistas negros tem sido intensa e secular, de acordo com a publicação A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica, de Emanuel Araújo, porém a artista e crítica Fabiana Lopes abriu parênteses para advertir sobre a insistência de alguns meios de comunicação em chamar o momento atual de boom da arte negra. Curadora e doutoranda pela Universidade de Nova York, ela enfatizou que não somente o livro de Araújo, mas a sistematização da produção de artistas comprova que o bom da arte negra ocorreu em séculos anteriores. Na conferência de abertura do fórum, ela apresentou parte do repertório de artistas que analisa no doutorado em artes, entre eles Darcy Dias e Moisés Patrício. Dentre os trabalhos de Moisés Patrício, Fabiana destacou a série Aceita, imagens diárias das próprias mãos, com objetos que problematizam temas como trabalho, identidade, preconceito, representatividade, religião e política.

Diane Lima, Silvia Furegatti e Daniel Lima

Ao analisar a ausência ao nome de autores negros em catálogos de alguns museus, o cineasta, artista visual e doutorando da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Lima convidou para a exposição Somos Todxs Negrxos, em cartaz até 16 de dezembro, que evidencia a presença de artistas negros nos últimos 30 anos do século 20. A coletiva reúne produção de 15 artistas cuja temática envolve questões de raça e gênero. Apesar do sucesso da mostra, Daniel ressaltou a dificuldade em identificar obras de artistas negros em catálogos.

De acordo com coordenador do evento, professor Gilberto Sobrinho, do Instituto de Artes da Unicamp, apesar de o mês ser bastante oportuno para falar da produção de artistas negros, o fórum é audacioso, pois destaca a necessidade de construir um currículo mais consolidado em que as expressões artísticas ligadas aos afro-brasileiros e indígenas não fiquem confinadas ao mês da consciência negra ou a esses calendários isolados. “Há um esforço maior de fazer com que haja uma justa participação dessa produção, num contexto geral, da formação acadêmica na graduação e na pós-graduação”, explica Sobrinho.

O professor acrescenta que o objetivo do fórum foi promover um debate estético-político. “Quando falamos de negros e indígenas, a relação entre arte e política é intrínseca porque são formas históricas de resistência que a Sueli Carneiro chama de “epistemicídio” contínuo de apagamento, de anulação de visibilidade, mas, por outro lado, tem história de resistência. É preciso sair dessa história das resistências para se inserir em espaços oficiais, como museus, universidades, cinema comercial, em todos os lugares.”

A discussão sobre estética da resistência faz questionar o mundo atual, para Daniel Lima. “Que mundo é esse que a gente construiu? De acordo com Lima, A Frente 3 de Fevereiro, coordenada por ele, nasceu em 2004, logo em seguida à morte  Flavio Santana, como forma de resistência a partir de expressões artísticas associadas a levantamentos de dados. “Nossa tragédia em termos de morte, racismo policial, violência, o estado do racismo em sua face mais violenta, a gente vai colher os frutos muito amargos. Mais que em 2004. É País com maior quantidade de assassinatos no mundo, a polícia que mais mata e mais morre no mundo. Hoje, mais do que nunca, precisamos de ferramentas para transformar.

Fabiana Lopes

Lima enfatiza que, a partir da arte, a Frente nasce para pensar a estética de resistência. “Qual a herança que ficou nesse período escravocata no Brasil, a sociedade que teve a maior escravidão do planeta? Como ficou marcada, como se expressa hoje este mundo?” Questões que, segundo o artista, levam a buscar formas de resistência na  construção de um mundo que atualmente “é extremamente segregado”.

O pró-reitor de Extensão da Unicamp, Fernando Hashimoto, enfatizou a importância de os Fóruns Permanentes da Unicamp estarem agora inseridos na Diretoria de Cultura da Preac, por estarem entre as várias ações estratégicas para levar discussões de vários temas, como o abordado no evento Estética das Resistências, para fora da Universidade.

Fotos: Bruno Piato

Pró-Reitores de Extensão se encontram no Conselho Universitário da Unicamp

Pró-reitores de universidades públicas do Estado de São Paulo se reúnem no Conselho Universitário (Consu) da Unicamp nesta quinta-feira (30), a partir das 9h30. A proposta é trocar experiências sobre ações de extensão realizadas por instituições de ensino superior ligadas ao Fórum de Pró-Reitores de Extensão (Forproex) e estabelecer possíveis ações com seus pró-reitores, já que o fórum trata da articulação e da definição de políticas “extensionistas” unificadas entre as universidades públicas brasileiras.

De acordo com o pró-reitor e Extensão da Unicamp, Fernando Hashimoto, além de conhecer o trabalho de cada uma das universidades, a aproximação é importante para identificar a afinidade entre ações em desenvolvimento ou planejadas pelas instituições do Estado de São Paulo. Uma das preocupações do Forproex é a ampliação da inserção social das universidades públicas.

Um dos principais elos entre a academia e a sociedade, a área de extensão tem atraído cada vez mais professores e alunos da Unicamp. Este ano, a submissão de projetos no PEC aumentou mais que o dobro em relação a edições anteriores. Além dos projetos inscritos, as unidades de ensino e pesquisa da Universidade foram orientadas a apresentar duas atividades de extensão em andamento ou no papel para que recebam apoio da Preac na divulgação e, futuramente, na busca de condições para concretização dos projetos.